Johann Sebastian Bach
Johann Sebastian Bach (1685-1750):
«Die große katholische Messe»
Missa em si menor | Mass in b minor
A primeira edição da Academia Ludovice centrou-se na vasta obra de Georg Philipp Telemann (1681-1767); a segunda focou-se no grande e variado legado de François Couperin (1668-1733), um dos maiores mestres do Barroco francês; e a terceira foi consagrada ao «inventor» do Barroco musical: Claudio Monteverdi (1567-1643). Era inevitável que esta quarta Academia, ainda que num formato completamente diferente, fosse consagrada ao maior vulto de toda a música barroca: Johann Sebastian Bach (1685-1750)!
No seguimento das anteriores Academias Ludovice, os alunos são convidados a prepararem uma grande obra do repertório barroco (nas edições passadas montámos a integral do Singende Geographie de G. Ph. Telemann, e as óperas Les Fontaines de Versailles de M-R. De Lalande, e Il ballo dell'ingrate de C. Monteverdi) e apresentarem-na ao lado dos seus professores e tutores num espectáculo de nível 100% profissional.
A Missa em Si Menor, BWV 232 dispensa qualquer tipo de apresentação, sendo reconhecidamente umas das obras-primas não só de Bach, mas de toda a música ocidental. A primeira versão foi composta por J. S. Bach em 1733 para a corte de Dresden, recentemente convertida ao Catolicismo por razões políticas (união dinástica com a Polónia-Lituânia) numa tentativa garantir uma nomeação para um posto profissional, o de Compositor da Corte/Mestre de Capela. Já foi pensada como uma missa católica, ainda que o Kyrie-Gloria também pudessem ser utilizados na liturgia luterana, e terão sido talvez apresentados em Leipzig, em ocasiões festivas. Bach, com a sua dedicação ao católico Augusto III (Rei da Polónia, Grão-Duque da Lituânia e Eleitor da Saxónia), deixa claramente expresso que está interessado em deixar Leipzig e mudar-se para Dresden; não podemos ter a certeza de que ele estaria disposto também a converter-se ao catolicismo, para garantir um posto fixo na capela real...
Quando Bach decidiu completar a Missa, bastante mais tarde (na última década da sua vida) embora não tivesse uma apresentação concreta em mente (da qual tenhamos hoje conhecimento, pelo menos) fê-lo claramente para reunir todos os elementos de uma missa católica completa, incluindo itens que nunca seriam passíveis de ser usados na liturgia luterana, como o Credo (Symbolum Nicenum), o Osana e Benedictus, ou o Agnus Dei; recentemente a investigação tem apontado como possível uma hipotética encomenda pela Sociedade de Santa Cecília de Viena, na Áustria.
A versão manuscrita da partitura não é de todo definitiva, deixando muitas questões em aberto, especialmente no campo da instrumentação; algumas delas foram «resolvidas» em comparação com os materiais (partes cavas) de 1733, ou as versões originais de alguns dos andamentos; mas muitas outras permanecem em aberto, embora 99% das interpretações e dos intérpretes actuais não as ousem enfrentar…
A nossa versão da Missa em Si Menor será planeada de forma a imaginá-la realizada no contexto específico de uma grande celebração solene da Capela Real Católica de Dresden. Devido à dimensão já monumental da missa (que demora cerca de uma 1 hora e 50 minutos) não será possível reconstituir detalhadamente este contexto litúrgico; no entanto, serão acrescentados alguns elementos para o sugerir: uma «Entrada» instrumental festiva para orquestra completa antes do Kyrie; entoações em cantochão antes do Glória, Credo e também entre os 2 andamentos do Agnus Dei; e uma obra para o Ofertório.
As forças orquestrais e vocais empregues pelo Ludovice Ensemble resultam de um compromisso entre a orquestra de que Bach normalmente dispunha em Leipzig, e os intérpretes disponíveis na Capela Católica de Dresden. As principais diferenças em relação a Leipzig serão o uso de 2 contrabaixos e uma teorba no contínuo (para além do cravo e do órgão) e o uso de 10 vozes — repartidas em dois grupos de 5 cantores cada — requeridas por Bach.
The first edition of Academia Ludovice focused on the vast work of Georg Philipp Telemann (1681-1767); the second was around the great and varied legacy of François Couperin (1668-1733), one of the masters of the French Baroque; and the third was dedicated to the "inventor" of Baroque music: Claudio Monteverdi (1567-1643). It was inevitable that this fourth Academy, albeit in a completely different format, would be dedicated to the greatest figure in all of Baroque music: Johann Sebastian Bach (1685-1750)!
Following on from previous Ludovice Academies, students are invited to prepare a major work from the Baroque repertoire (in past editions we staged the complete Singende Geographie by G. Ph. Telemann, and the operas Les Fontaines de Versailles by M-R. De Lalande, and Il ballo dell'ingrate by C. Monteverdi) and present it alongside their teachers and tutors in a 100% professional-level performance.
The Mass in B minor, BWV 232, needs no introduction, being recognized as one of the masterpieces not only of Bach, but of all Western music. The first version was composed by J. S. Bach in 1733 for the court of Dresden, recently converted to Catholicism for political reasons (dynastic union with Poland-Lithuania), in an attempt to secure a professional position as Court Composer/Chapel-Master. It was conceived as a Catholic Mass, although the Kyrie-Gloria could also be used in the Lutheran liturgy, and it may have been performed in Leipzig on festive occasions. Bach, with his dedication to the Catholic Augustus III (King of Poland, Grand Duke of Lithuania and Elector of Saxony), clearly expresses his interest in leaving Leipzig and moving to Dresden; we cannot be sure that he would also have been willing to convert to Catholicism to secure a permanent position in the royal chapel...
When Bach decided to complete the Mass much later (in the last decade of his life), although he did not have a concrete performance in mind (of which we have knowledge today, at least), he clearly did so to bring together all the elements of a complete Catholic Mass, including items that would never be usable in the Lutheran liturgy, such as the Creed (Symbolum Nicenum), the Osanna and Benedictus, or the Agnus Dei; Recent research has suggested a possible hypothetical commission by the Society of Saint Cecilia of Vienna, Austria.
The manuscript version of the score is far from definitive, leaving many questions open, especially regarding instrumentation; some of these have been "resolved" by comparing them with the materials (single parts) from 1733, or the original versions of some of the movements; but many others remain open, although 99% of current interpretations and performers do not dare to confront them…
Our version of the Mass in B minor will be planned to imagine it performed in the specific context of a large, solemn celebration in the Royal Catholic Chapel of Dresden. Due to the already monumental size of the Mass (which lasts about 1 hour and 50 minutes), it will not be possible to reconstruct this liturgical context in detail; however, some elements will be added to suggest this: a festive instrumental "Processional" for full orchestra before the Kyrie; plainsong before the Gloria, Credo, and also between the two movements of the Agnus Dei; and a work for the Offertory.
The orchestral and vocal forces employed by the Ludovice Ensemble result from a compromise between the orchestra Bach normally had in Leipzig and the performers available at the Catholic Chapel in Dresden. The main differences from Leipzig are the use of two double basses and a theorbo in the continuo (in addition to the harpsichord and organ) and the use of 10 voices—divided into two groups of 5 singers each—as required by Bach.

